Hermeto Pascoal, que faria 90 anos, resiste na memória nacional como símbolo da música livre e inclassificável

  • 22/06/2026
(Foto: Reprodução)
Músico e compositor alagoano, Hermeto Pascoal (1936 – 2025) faria 90 anos hoje, segunda-feira, 22 de junho Divulgação ♫ MEMÓRIA ♬ Periga resultar inútil qualquer tributo prestado a Hermeto Pascoal (22 de junho de 1936 – 13 de setembro de 2025), excepcional multi-instrumentista, arranjador e compositor alagoano que faria 90 anos hoje, segunda-feira, 22. É que Hermeto simbolizou a música em permanente estado de criação. O Bruxo exercitava a magia da criação musical em cena, ao vivo, sem seguir roteiros pré-estabelecidos. Hermeto nunca sabia o que ia tocar quando era chamado ao palco. Porque, para ele, a música surgia na pauta instantânea do aqui e agora. O artista extraía sons e fazia música com qualquer objeto que estivesse ao alcance. Poderia ser uma chaleira ou uma bacia, como muitas vezes foi. Ou mesmo um porco cujo ronco soava como música aos olhos desse músico singular. É que a visão aguçada e sensorial do albino Hermeto o fez enxergar que tudo podia ser música. Até porque a música estava na natureza, no sopro dos ventos, no correr dos rios, nos mistérios das matas. Nunca houve alguém como Hermeto Pascoal no universo musical. E tampouco haverá. Porque Hermeto fazia uma música livre como a imaginação que o guiou ao longo de 89 anos de vida pautada pela criação instantânea, incessante. Derrubando fronteiras com a liberdade da criação, Hermeto partiu dos gêneros nordestinos genericamente rotulados como forró – início natural para quem nasceu no sertão alagoano e pôs os pés (e as mãos) na profissão com o toque da sanfona, integrando grupos nordestinos – até chegar ao jazz, música dos músicos. Contido, no caminho, Hermeto transcendeu gêneros e movimentos como um gênio indomável que sabia que a linguagem da música era universal e que, tal como o Bruxo, também desconhecia limites. Hermeto Pascoal nunca se deixou aprisionar pelas cifras das pautas musicais. Ou pela prévia combinação dos ensaios. Ou pelo padrão. Hermeto criava ao vivo o som que, na mente livre do artista, já nascia universal. Ainda assim, cabe ressaltar que o som de Hermeto não nasceu universal. Ele se tornou universal. O ponto de mutação foi a participação do músico em 1967 no Quarteto Novo, também integrado pelo percussionista Airto Moreira, o guitarrista Heraldo do Monte e o violonista Theo de Barros. A partir de então, Hermeto Pascoal se transformou no... Hermeto Pascoal que passou para a posteridade e que resiste na memória nacional. Esse artista está perpetuado em álbuns como “Hermeto” (1970), “A música livre de Hermeto Pascoal” (1973), “Slaves mass” (1977) e “Cérebro magnético” (1980). E, no título do mencionado disco de 1973, reside o único adjetivo que parecer caber na música livre de Hermeto Pascoal, o músico que jamais se deixou amarrar por conceitos, escalas e combinações. Hermeto Pascoal (1936 – 2025) extraía música da natureza e via numa chaleira uma usina de sons Mônica Imbuzeiro / Reprodução da capa do livro 'Quebra-tudo! – A arte livre de Hermeto Pascoal'

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/06/22/hermeto-pascoal-que-faria-90-anos-resiste-na-memoria-nacional-como-simbolo-da-musica-livre-e-inclassificavel.ghtml


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